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Península de Setúbal
Castas
 
 
Brancas:
 
Moscatel de Setúbal, de Alexandria ou Graúdo

Sabe-se que esta casta é originária do Egipto, tendo-se expandindo pelo Mediterrâneo a partir de Alexandria, possivelmente na época do Império Romano (Galet,1985). Cepa de vigor médio. Tem uma floração e fecundação difíceis, sendo propensa ao desavinho. Resistente à secura, é sensível ao míldio e ao oídio. Há variedades de Moscatel no mundo, todas elas com uma importante concentração de compostos (terpénicos) aromáticos, no entanto, é a casta Moscatel de Setúbal que apresenta maior concentração e riqueza desses compostos aromáticos. Os aromas típicos são bem conhecidos: casca e flor de citrinos, mel, tília, rosa, líchias, pêra, tâmaras e passa de uva. Proporciona vinhos memoráveis.
 
Fernão Pires

Uma das castas brancas mais disseminadas por todo o país. A sua versatilidade, precocidade e riqueza em compostos aromáticos estão na base da sua popularidade. É, a seguir ao Moscatel de Setúbal, a casta branca mais plantada na Península de Setúbal. É utilizada em vinhos elementares (só uma casta) de lote (com mais de uma casta) e dando bons resultados na elaboração de espumantes, vinhos licorosos e ainda em vindima tardia. No seu perfil aromático, destacam-se os frutos tropicais, a rosa, tília, laranjeira, lima, limão e outras ervas limonadas. 
Tintas:
 
Castelão

É a casta tinta mais cultivada no sul de Portugal. Possui um grande poder de adaptação a diferentes condições climáticas, o que lhe dá uma notável versatilidade. A casta Castelão é conhecida na região da Península de Setúbal por Periquita, nome que terá tido origem na propriedade chamada Cova da Periquita, localizada em Azeitão, onde José Maria da Fonseca a plantou por volta de 1830. A fama dos vinhos produzidos com as uvas da Cova da Periquita terá levado a que os seus garfos e o seu novo nome se tenham difundido por toda a região. Ocupa cerca de sessenta por cento do encepamento da Península de Setúbal. Muito bem adaptada à região, é na Península de Setúbal onde ela se manifesta em toda a sua plenitude. É sobretudo nos terrenos arenosos e nas vinhas velhas da região, que a casta dá o melhor de si e de onde saem os vinhos mais estruturados, carnudos e intensos. Os vinhos da casta Castelão apresentam-se à prova estruturados, frutados, insinuando aromas a cereja, groselha, bolota, castanha, ameixa confitada, amoras e framboesa, que se harmonizam bem com o estágio em barricas de carvalho. Regra geral, apresentam excelente capacidade de envelhecimento.
 

Syrah

Embora seja uma casta francesa originária da região de Côtes du Rhône, encontra-se largamente difundida com sucesso noutras regiões de França e no mundo inteiro. Na Península de Setúbal ocupa, aproximadamente, 300 hectares. Os vinhos provenientes desta casta beneficiam de uma grande riqueza de expressões sensoriais, consequência dos diversos terroirs, climas e saberes. Na nossa região a casta Syrah encontrou, seguramente, um terroir e clima privilegiados pois, mesmo com diferentes saberes, têm-se obtido vinhos de qualidade excepcional largamente medalhados tanto ao nível nacional como internacional. Se dúvidas houvesse a este respeito teriam sido dissipadas quando na Vinalies Internacionales, concurso que tem lugar em Paris, França, em 2008, em prova cega, concorrendo com vinhos tintos de 36 países, um vinho de Syrah da Península de Setúbal obteve o Trophée Vinalies, ou seja, foi considerado o melhor tinto em prova.

 
 
Arinto

Uma das castas portuguesas mais antigas e de grande tradição. É uma casta caracterizada pela sua acidez natural elevada. Casta de grande nobreza confere aos vinhos acidez, estrutura e bom potencial de guarda. É, por isso, muito utilizada em vinhos de lote aos quais aporta frescura, mineralidade e longevidade, ganhando elegância e complexidade durante a sua evolução. É também bastante utilizada na produção de vinho espumante. É a terceira casta branca mais plantada na Península de Setúbal. No seu aroma sobressaem notas minerais, de maçã verde, lima e limão.
 

Fazem ainda parte do encepamento branco as seguintes castas:

Antão Vaz, Verdelho, Chardonnay, Viosinho, Viognier, Síria, Malvasia Fina, Sauvignon, Alvarinho, Sercial, Rabo de Ovelha, Pinot Blanc, Moscatel Galego Branco, Tamarez, Semillon, Loureiro, Boal Branco e Encruzado.

 

Aragonez

Uma das nobres castas tintas da Península Ibérica, reconhecida nos dois lados da fronteira. Designada por Tempranillo em Espanha, em Portugal também é conhecida pela sinonímia Tinta Roriz. É uma casta precoce, vigorosa e produtiva, facilmente adaptável a diferentes climas e solos, embora prefira climas quentes e secos e solos arenosos ou argilo-calcários. Na Península de Setúbal, ocupa cerca de duzentos e setenta hectares e a sua maturação ocorre, regra geral, uma semana antes da casta Castelão. Se o vigor for controlado, produz vinhos encorpados, mas elegantes e muito aromáticos. Os aromas da casta sugerem ameixa, passa de ameixa, frutos silvestres, especiarias e por vezes o alcaçuz, tornando-se mais complexos com a evolução. Embora se utilize, frequentemente, em vinhos de lote harmonizado com castas como o Castelão, Touriga Nacional, Trincadeira, Touriga Franca e Alicante Bouschet, também é utilizada em vinhos monovarietais (só uma casta) com grande sucesso, sendo já uma imagem de marca de algumas empresas da região.


Touriga Nacional

É uma casta nobre e muito apreciada, talvez a casta mais elogiada em Portugal, estando hoje disseminada por, praticamente, todas as regiões do país. A pele grossa, rica em matéria corante, proporciona cores intensas. A abundância dos aromas primários é uma característica da casta, apresentando-se simultaneamente floral e frutada, sempre intensa e penetrante. É a quarta casta mais plantada na Península de Setúbal. A Touriga Nacional dá vinhos retintos, encorpados, poderosos e com excepcionais qualidades aromáticas. No seu aroma macio e quente predominam as notas de frutos silvestres maduros, tais como; amora e mirtilo, com nuances florais que lembram violeta, rosmaninho e por vezes esteva. Origina vinhos com boa graduação alcoólica, harmoniosos e com excelente capacidade de envelhecimento, ganhando complexidade aromática com o estágio em barrica.

 
 

Moscatel Roxo

O solar desta casta é a Península de Setúbal. Os seus cachos são pequenos e compactos, de bagos redondos e tom rosado, de extrema doçura. Esta casta, à semelhança do Moscatel de Setúbal, tem um perfil aromático riquíssimo e contribui, de forma inequívoca, para as características de aroma e sabor dos vinhos a que dá origem. Comparativamente com os vinhos da casta Moscatel de Setúbal, este vinho generoso possui um aroma mais seco e complexo, mas não menos rico, à prova excede as expectativas criadas pelo aroma exibindo um paladar finíssimo onde ressaltam as especiarias e as compotas de ginja e figo.
O Moscatel Roxo de produção mais limitada é por isso menos conhecido do que o Moscatel de Setúbal. No entanto, não menos apreciado.
João Ignacio Ferreira Lapa, em 1866, descreve assim esta casta e o vinho dela obtido:

“O Moscatel roxo é fabricado com o Moscatel d'esta mesma cor, planta finíssima muito aromática e sacarina, mas, como todas as plantas delicadas, pouco produtiva e muito melindrosa. Desmaia a cor roxa deste vinho com a velhice, parecendo então vinho Moscatel branco velho; mas embora, porque o sabor balsâmico que adquire em troca, indemniza no paladar o agrado que desmereceu à vista".








Fazem ainda parte do encepamento tinto as seguintes castas:

Trincadeira, Cabernet-Sauvignon, Alicante-Bouschet, Touriga-Franca, Merlot, Alfrocheiro, Tinta-Barroca, Tinta-Miúda, Tannat, Tinto-Cão, Petit-Verdot, Pinot Noir, Bastardo, Tinta-Caiada, Baga e Moreto.